Eu penso (também) assim:

Desejaremos, um dia, o que vivemos: realidade fugaz dos sentimentos,
cheios de paz, de gozo e amor insano!



12 de março de 2008

Reciclar é preciso

Esses dias resolvi faxinar armários e gavetas. Mudar algumas coisinhas. Nem que seja as roupas e objetos de um lugar para outro.
Sempre aceito na boa as mudanças que tem que ser feitas. É quando temos a oportunidade de guardar tudo o que é estimável e descartar o resto.
Compensa muito conhecer novos lugares, novas pessoas, arrumar movéis e objetos de maneira diferente, dá a imprensão que tudo é novo.
Só minha mãe entende e sempre lembra-me, que eu sou maníaca de querer reparar (consertar) as coisas antes de jogar fora, ainda que não tenha jeito. Mas eu tento.
Antes de minha vó morrer, distribuiu vários objetos de grande valor inestimável. Muitos dos objetos, louças, ela ganhou por ocasião do seu casamento. Pra mim, coube um lindo vaso de cristal.
Numas das minhas faxinas, sem querer, quebrei o vaso. Fiquei super mal. Estava perdendo ali um objeto de valor sentimental. Triste, peguei os cacos do vaso, embrulhei no jornal velho, e, contrariando o do feng chu, guardei o embrulho no fundo de uma gaveta.
Já nem lembrava mais dos velhos cacos do vaso de cristal, quando numa das minhas faxinas, encontrei o tal embrulho. Peguei e joguei no lixo. Simples assim, como tudo o mais na minha vida. Sempre espero o momento certo pra "jogar no lixo" tudo aquilo que já não me serve mais.
Faxinando o armário, encontrei de tudo. Roupas surradas, que não usava mais, ocupando espaço das novas peças.
Triste, me desfiz de uma calça jeans, tam. 42 (adorava essa calça), que a tempo esperava entrar no meus 44. Esperou demais, dançou.
Martelava na minha cabeça: "Isso não te pertence mais!". O jeito é aceitar as coisas como são. Uma bolsa tipo mochila, dei para a filha da Selma, porque para os meus quarenta e tantos anos, não ficava bem. Um casaco de lã, comprado na última viagem que fiz as serras gauchas. Belém é quente, não precisamos desse tipo de roupa.
Oh, Deus! quantas quinquilharias sem uso, fora de moda. Precisava me desfazer de quase tudo, tinha necessidade urgente de espaço.
De repente, senti que parte das minhas coisas que tanto eu gostara um dia, já não tinha tanta importância. No entanto, me sentia mais leve, sem me importar se iam entender ou não do meu desapreço. Talvez um sinal de maturidade, afe!
Assim é a nossa vida também. A gente sempre acha que não sobreviveremos sem aos objetos ou pessoas.
É chegado o dia, que descobrimos, que nada nem ninguém é insubstituível, que uma amizade ou um amor 'que não deu certo' é melhor guardar nas lembranças. Ou num álbum de fotografias, até o dia de descartar de vez.
Aprende-se que "chorar pelo leite derramado" é besteira.Enfim, na minha faxina, encontro um dos meus livros, largado, com marcador na página 43, esperando que eu termine de lê-lo, mas desse eu não me desfaço.
Não sei se amanhã, vou chegar em casa, com mais um jeans apertado, esperando que a dieta dê resultado, pra ser usado.
Ou decidir se é hora de recomeçar a faxina mais uma vez.

13 comentários:

Claudinha disse...

Amada, sabe que estava justamente pensando em escrever a respeito de mudanças??? exatamente por estar numa fase de mudanças... eu sou dessas pessoas que amam mudanças, sejam elas quais forem. Normalmente me dedico a elas com extrema paixão... pra mim... são uma oportunidade que a vida me da para (re)começar... e é uma renovação de alma e espírito... é como se me libertasse de diversas formas... as roupas, objetos, acessórios e tudo mais que descartamos, apenas abrem espaço para que o novo se faça presente... a VIDA tão mais sábia que nós mesmos, exige em algum momento que joguemos o dispensável fora... para que ela ocupe os espaços que ficam... Mas assim... próxima vez que se desfizer de uma calça 42 "linda, linda, linda", manda pro meu endereço??? eu caibo nelas...rsrsrsrsrs

Muuuuuuuuuuuuuuuuuitos beijos e feliz espaço novo!!!!

loba disse...

Crys, eu nem preciso dizer o quanto gosto do verbo mudar em todas as suas conjugações e variações. Poucas coisas penso em guardar, pouquissimas. Talvez o que menos mude na minha vida são os afetos. Estes eu cultivo dentro de mim, com muito carinho. O resto... bom, o resto é resto, né? rs...
Tá lindo seu blog! Lindo mesmo.
Beijãozão

Tânia disse...

Lembrei da música "Tendo Lua" dos Paralamas...mudar é recomeços, recomeços são sonhos...sonhos é esperança...
Que vc sempre mude com esta doçura Crys.
Beijão

Ps.: Eu inquieta por natureza e vc o sabe bem...digo que mudar é ótemoooooooooooooo!
jeans 42...é meu número ó

Shi disse...

Só de pensar em mudanças eu já sinto vir um orgasmo daquels fuuuuuuuuuuuuuderosos! :-P
Já te disse que esse rosão tá lindo? Já te dei bjinho hj? :-D Tão lá vai um, na boca bem melequento, SMACKSSSSSS!!!
:-|

Manoela Afonso disse...

Espaço novo!!!!!!!!! Viva!!!!!! Pois é Crys, eu bem sei o quanto é difícil jogar coisas fora... e sei também o quanto é bom jogá-las hehehe. Que bom, ar novo, bjinho! Vou linkar no Diário. É pra manter o endereço antigo ou não?

Dora disse...

Crys-Rô...Eu gosto de mudanças. Sempre comento isso com a Shi: quero ver as voltas que o mundo dá...Nessas voltas, sempre muda tudo!!!
E armários, gavetas e coisas similares...adoro remexer tudo, experimentar tudo, doar ou oferecer o que está guardado sem uso...
Eu acho que vou querer a calça jeans que vc não quer. Emagreci. E estou doando as minhas que estão largas!!!!!!!!!!( ai, não me agüento a mim mesma!!! rs).
Estou mudada! E aguardando mais mudanças...Adorei vc falar nesse assunto!
Beijos.
Dora

dácio jaegger disse...

Crys,
durante sua arrumação, encontrou um dos seus livros, largado, com marcador na página 43. Espera que termine de lê-lo, mas esse vc não se desfaz, estimulante. Passou-me a idéia de apoiar vc a fazer uma mudança. Pegue o marcador, tire-o do lugar, coloque-o em cima do teclado e prossiga a leitura; faça um resumo da excelência da obra e passe para a gente, com sua verve gostosa, tão particular.
Beijo.

nelson disse...

Oi Querida Crys! É muito gostoso quando venho ao blog e te encontro...tenho tido pouco tempo para este prazer, mas sempre que der estarei aqui...Olha!!O último post tinha saído incompleto...dê um cheguindo lá pra ver! Te adoro! Beijo!!

Ceci disse...

Crys, querida, imagina o que também estou a fazer? Uma super faxina, e nela encontrei os planos de aula que já estão no trigésimo aniversário... Foi um Deus nos acuda, tive até dor de barriga, ao pegar aqueles papéis.. Agora foram para os ares, vão ser reciclados entre outros irmãos-papéis da vida, tanta anotação! Se por um lado causaram muitas recordações, também me deram a noção exata do tempo passado. Grande abraço, e continuemos a faxinar e reciclar tempo e coração! tempo e alma...

Anônimo disse...

Desapegar-se é preciso! Amei o texto, amiga. Li todo ele com o tal sorriso monalisa de quem se percebe nos cantos das frases. Amei!
Beijo grande!

Lela

QuincasB disse...

Selma, claro.

Miguuel disse...

Crys, mude mesmo, toda roseira formosa muda suas flores a cada florada e, cada vez essas rosas ficam mais belas.
Só não jogue fora teus amigos ( eu entre eles) pois amigos ão perolas e merecem ser cultivados.

Georgia disse...

Crys, reciclar é mesmo preciso para dar espaco para coisas novas.
Eu tb tenho essa mania de gavetas e jogar coisas fora que nao uso há um bom tempo. Como vc mesma disse, passe adiante o que dê e o que nao dá jogue no lixo. Assim tb sao com certos sentimentos nosso, precisa as vezes de arrumacao.

beijao